Whey Protein para crianças ou adolescentes, pode?

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Começo essa matéria com a seguinte informação do IBGE: “mais de 30% das crianças com menos de dois anos de idade tomam refrigerante ou suco artificial segundo pesquisa nacional em saúde!”. Temos um grave problema de saúde pública, alta ingestão de açúcares simples, os quais são fatores de risco para obesidade e tantas outras doenças como diabetes e insuficiência renal. A mudança não é apenas no lanche das crianças, deve ser feita em todas as refeições, a mudança deve ser de estilo de vida! Nesse ponto de vista, início nossa conversa sobre Whey Protein.

ACHOCOLATADOS EM PÓ

Porque oferecer Whey Protein para crianças? E Porque não oferecer? O que precisamos saber para tomar a melhor decisão? Antes de falar em proteína do soro do leite propriamente dita, vamos levar em consideração as outras opções que as crianças normalmente consomem, os achocolatados em pó.

Eduardo e Lannes (2004) fizeram um bonito trabalho de análise química dos achocolatados e pó mais consumidos no país, irei citar de forma resumida o que encontraram:

1. De forma geral, os achocolatados possuem cerca de 70% de sacarose, ou seja, açúcar branco. Este é o açúcar refinado, obesogênico, de alto índice glicêmico, fator de risco para diabetes e tantas outras doenças crônicas não- transmissíveis (DCNT) (WHO, 2003);

2. Por serem derivados do cacau, possuem teobromina, similarmente á cafeína e outros alcaloides, atua como estimulante do sistema nervoso central (SNC) e do músculo cardíaco e por ser uma metilxantina é conhecida sua carcterística de prejudicar a absorção de micronutrientes como o cálcio e o ferro quando consumido em excesso;

3. Teobromina possui potencial toxicidade reprodutiva, pois atravessa a barreira hematoencefálica, podendo, supostamente, induzir mal formação fetal, afetando os genes vitais em desenvolvimento;

4. Em seus resultados encontraram alto teor de lipídios totais nas versões dietéticas e light em cmpração as normais;

5. E por fim, os achocolatados dietéticos apresentaram teor de proteínas significativamente maior que os achocolatados tradicionais, devido ao fato de os mesmos apresentarem como um dos edulcorantes o aspartame, que é um Éster metílico de dois aminoácidos, a fenilalanina e o ácido glutâmico, ou seja, proteína de adoçante artificial, não serve como fonte proteica dietética.

WHEY PROTEIN

Por outro lado, temos a proteína do soro do leite, o Whey protein. De forma científica, vamos analisar este produto:

1. Dentre os seus componentes, encontramos os maiores teores de beta-lactoglobulina e alfa-lactoalbumina. São compostos bioativos com características anti-inflamatórias, antioxidantes e fonte de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), a alfa-lactoalbumina por exemplo, está presente no leite materno (Marshall, 2004). A alfa-lactoalbumina participa na diminuição da absorção de lipídeos intestinais e a beta-lactoglobulina potencializa a absorção de micronutrientes como cálcio e zinco (Souza, et al., 2012).

2. Segundo potes e colaboradores (2013), o aquecimento em temperaturas brandas como 55º c  leva a desnaturação do Whey Protein gerando modificações irreversíveis nestes dois componentes bioativos;

3. Tsakali et al., (2014) comenta que na produção industrial do Whey protein, o produto final é “pobre funcionalmente”, são feitas ações de aquecimento, ultrafiltração e cromatografia em um processo de baixas temperaturas e pouca variação de PH para que se evite desnaturação das estruturas nativas.

4. Whey protein é um produto sensível, que deve ser consumido apenas in natura, para que suas características funcionais não sejam perdidas, e esta informação faz toda a diferença!!! A beta-lactoglobulina consiste de uma sequência de 162 resíduos de aminoácidos, a qual é resistente a proteases como a pepsina, ou seja, atravessa a barreira gástrica intacta, este é o resíduo alergênico do leite!! Por isso, muitas mães são orientadas a aquecerem em banho-maria o leite do filho para que haja desnaturação deste composto melhorando sua digestibilidade.

5. Segundo American Society for clinical Nutrition (2003), fórmulas infantis contendo Whey protein promove adequado crescimento e status proteico nutricional;

6. Em situações patológias, Lothian, grey e Lands (2006) mostraram impacto da suplementação de Whey protein sobre marcadores inflamatórios em crianças com asma atópica;

7. Também possui alto teor de cálcio favorecendo a redução da gordura corporal, por mecanismo associado ao hormônio 1,25 (OH) 2D (Vitamina D), segundo Haraguchi e colaboradores (2006) que fecha seu artigo comentando que o enriquecimento de alimentos com as proteínas do soro, como bebidas, por exemplo, facilitaria seu consumo e o estudo em grandes grupos populacionais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A palavra é EQUILÍBRIO. Existem proteínas do soro do leite com maior teor de carboidratos, outros com características mais isoladas (apenasproteínas na composição) O cálculo dietético individualizado é que definirá o beneficio do produto, por isso sempre procure um profissional capacitado, certamente ele irá lhe mostrar o melhor caminho a ser seguido.

Abraços a todos e sucesso sempre!

Por Rafael Longhi
Mestre e professor de nutrição esportiva
Pesquisador do departamento de bioquímica da UFRGS
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